sábado, 10 de janeiro de 2009

Sempre assim eu faria
mil versinhos ritmados
em um papel velho dobrado
-de meu amor para você-
Se não tenho mais tua companhia
Livra-me ao menos da agonia
que é esquecer os olhos teus

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Tempo que se desfaz em mãos cansadas, vazando pelas brechas que se abrem entre os dedos. Tempo que pulsa sem cessar, vibrando nos ponteiros frenéticos dos segundos. Tempos que se ganha. Tempo que se perde. Tempo que não volta mais. E se o tempo esperasse por nós, e se esperássemos pelo tempo...o relógio marcaria eternidades... eternamente.
Teríamos tempo de sobra entre um infinito e outro. Tempo para conhecer. Tempo para amar. Tempo para fundir. Tempo para esquecer... E as horas que nunca iriam chegar, vagariam soltas por aí, entre uma brecha e outra do começo e fim que não existe.
Ainda há tempo de sobra, ainda há tempo demais. Tempo de esconder os relógios, tempo de fazer valer: o beijo que nunca foi dado, as palavras que nunca foram ditas, o vôo falho, a vida sem vida de quem não tem tempo pra nada.
Eu quero um tempo... um tempinho, pelo menos.. para abraçar a minha mãe.. para querer bem as minhas amigas... para segurar as mãos habilidosas da minha avó.. para pentear a minha irmã... para empilhar meus livros.. para respirar mais uma vez.. só uma vez.. a finitude das horas que eu não sinto passar por mim... essas horas repentinas que me elevam e fazem das ínfimas partes do meu ser, partículas eternas do tempo que sobrou.
Sol da manhã,
vem beijar o rosto
aquece com gosto
a pele dos que não sonham mais

Irradia nas paredes
desses apartamentos escuros
Irrompe pelos quartos
Se expande pelos muros

Vai chamar o meu amor
pra mais um dia de praia
Vai, sol da manhã,
que a noite só ensaia
um fim de tarde na Lapa
um pôr-do-sol no Arpoador
O nada é um labirinto de portas
uma cordilheira de tudo que era
e deixou de ser
para virar pensamento