domingo, 12 de julho de 2009

E que falta enorme
...
Desses olhos que não são meus
Da boca que não é minha
Das mãos que se entregam à outra
Enquanto as minhas balançam sozinhas
E tiritam meus dedos sem saber
Uma sinfonia de deboche
Aos amantes platônicos
...
Que não sabem cantar
E se embalam com o canto
Que não sabem escrever
E se entregam aos livros
Que não sabem dançar
E assistem os passos
Que não sabem amar
E amam em silêncio
...
E que falta de poesia
Naqueles olhos calados
Alma vazia de lirismo
Até que lhe tropecei no caminho
E de repente virei coisa oca
Também
Hoje eu descobri um ponto
Que tinha o ínfimo tamanho
de todos esses pontos que pontuam uma linha pontual
Um ponto parado que sorria sozinho
Posto propositalmente em meu caminho
E vieram outros pequenos pontos
Primos, pais, parentes..
Meus pontos
Sem rumo sem sombra sem mim
Pontos desperdiçados por uma bela pontilhada
Não é a minha.
São pontos.
Pontos sem fim.
E essa chuva fininha
Imagina se fossem beijos
Imagina se fossem sonhos
Que estiagem louca não seria...
Segurou a porta e sorriu
“passe, por favor”
...
Passe feito passarinho
Passe passo a passo
Pertinho pertinho
Passada a passada
E passem também as andorinhas
E passem também as maritacas
...
“não,
obrigada”
...
“Eu subo..”
...
Que num segundo a porta fecha
E o tempo
...
O tempo passa