segunda-feira, 26 de setembro de 2011

He has green eyes.

The greenest I've seen.

Something between grass-after-rain and the sea-after-storm.

Being neither rain,

nor storm,

they are the shadow of a bridge

over a green lake

Or perhaps

the green I see

is quite as much green

as the brown of his wooden eyes

or as blue as a proud sky

my pretty,
pretty
chameleon...

how should I name you without whispering out loud?

how should I paint you with less colours ..?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Normatização da Vida Privada

Cap. I Sobre o esquecimento

Artigo 1º Ao esquecido de suas escolhas e razões, se motivado por fato superveniente e inesperado, caberá a escusa pronta e incisiva do eu-me-esqueci.

Artigo 2º Ao esquecido pelas escolhas e razões de terceiro, se motivado pela lembrança inafastável e a certeza inabalável de comprometimento, caberá aceitar, de boa fé, a prontidão do destino.

§1º Quando, de prontidão, o destino se abster do sua obrigação de fazer esquecer, notificar-se-á o fiador tempo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Bom.Fim.

E se a premissa era a do azar,
que pena ver assim rasgada
a minha fitinha do BomFim.

sábado, 25 de junho de 2011

Um poema triste

de quem sente falta

dos olhos azuis

do avô

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Parou

E olhou o quadro.

E o quadro parou

E olhou a moça.

Um sem saber se era quadro.

A outra sem saber se era moça.

Conversaram os dois sobre o tempo.

Sobre o acrílico.

Sobre os classificados.

e se despediram em tácito consentimento.

...

Ficou a moça

Diante da parede

...

E as paredes pararam e olharam a moça.

Sem saber se eram paredes

e a moça sem saber se era quadro.

...

Conversaram sobre as cores

Sobre as compras

Sobre as lagartas

...

Ficou no fim o banco.

Triste, tacanho.

Um banco com olhos de moça
A fala pisou em falso

falhou no passo

pouca verdade nos olhos dela

Mas a falta,

quando escassa,

é uma mentira tão triste

que vira

brasa

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Quem escreve para menos sentir bem sabe que é muito maior o poder da letra. Pois eu inventei vinte e quatro formas diferentes de desviar o pensamento e das vinte e quatro tentativas, restou o consolo do papel. Um consolo analista-conformista-freudiano-psicanalítico-homeopático.

Estranho esse dia cinza. E se nem o céu escolheu a cor do dia, por que eu haveria de ainda ter olhos castanhos?

Afunda, afunda nesse cinza, dizem ao pé da pena. E eu não penso duas vezes. E como poderia?

O gato da Alice assopra: se você não sabe pra onde vai... tanto faz o caminho que irá tomar.

E se eu soubesse o caminho? O trajeto exato que me leva ao cinza? Então me desenharia pés. Desenharia um mapa. E marcaria um X imaginário nesta brecha indefinida que se abre entre duas nuvens.

Cinzas.

Deixo lá as cinzas da memória.

Depois descalço os sapatos

...E cinza sou também.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Partida.
Parte.
da parte
que fica
o que nos parte
e o que nos resta
é parte.
E uma saudade por inteiro...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A crença geral era a de que as estrelas porventura caíam. E se porventura caíam, o que se via era então pó. De poeira revestiam as mãos, e sopravam aos finais da tarde grossas nuvens de cinza claro. O cinza, camuflado pelo orgulho dos olhos, subia aos céus e virava luz... Não se tratava de uma teoria, mas a observação pura e empírica de uma lei natural das coisas. É que a astrologia neste ponto do mapa - explica-se - ficava entre dois astros errantes... Um era a Terra e o outro era Gramacho.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Em breve, muito em breve, os telhados se cobrem de poeira, as palavras velhas de um livro perecem, a chuva de março seca no alto da copa das árvores e, lento, lento, se aproximam e se despedem os barcos que vejo aqui do porto.
As velhas choram seus bordões e, em vão, sacodem lenços no ar. Brevemente entediadas, brevemente saudosas, aguardam em linha e agulha que as suas breves rugas, ainda tão moças, sejam os cravos de julho, os barcos de abril...

domingo, 6 de março de 2011

A minha história começa com violinos. O céu é verde e as árvores são grandiosas mãos, adornadas pelas tempestades de março. O vento canta em mí menor, o sal é doce e a chuva pinga em carícias ligeiras...

Você vai escrever assim? Ele pergunta, debruçado sobre a mesa.

Eu diria, a nossa história - veja como fica melhor - começa no cais, quando você ofendia as minhas metáforas esforçadas de amor, e eu fazia você acreditar nas minhas teorias sobre as estrelas. Não havia vento. Era uma brisa de outono. O verde era castanho no meu céu. As suas mãos estavam trêmulas nas minhas, muito embora você jurasse calma. E mantinha aquele olhar firme sobre a linha horizonte do nada. Mas o início de tudo, bem o início,foi quando eu reparei nos seus cadarços...

Os meus cadarços? ...O que tinham os meus cadarços?

Ah, girando os olhos, você não se lembra...?

Hesito em um não interrogativo.

Estavam desamarrados.

Espero você continuar a sua linha de inspiração, ou...?

Sem tempo pra inspiração. Você viu que estavam desamarrados e continuou andando. Achei lindo.

Sorrio.

Posso colocar de outra forma? - Um olhar de consentimento - A nossa história começa bem antes dos cadarços.Foi quando marte cruzou com vênus na quinta casa de plutão. Houve uma grande chuva de meteoros, disseram que o mundo ia acabar, mas aí veio uma tempestade muito forte, e o fogo que queimara os campos virou um mar de carpas. As nuvens se tornaram verdes. Tão verdes. E as velhas saíram todas de casa, com os seus baldes e terços. Foram orar na sacada - repare, até os baldes rezaram. Então veio o sol, invadindo os vitrais das igrejas. Depois do sol veio o vento. Depois do vento, veio a brisa. E aí veio você, com esses olhos de nuvem, transvendo o mundo...E eu transvi com você,esse mundo que era só seu. '

Podemos escrever um livro. Ele sugeriu.

...Como vai terminar?
Ele responde em silêncio. Um sussuro. vênus e marte na quinta casa. E o dia nos encontra dormindo...

sábado, 5 de março de 2011


sábado, 26 de fevereiro de 2011

As palavras foram filetes de navalha cortando o céu. Quando o céu era uma chuva de impropérios. E os impropérios eram ouriços no plástico bolha. Quando as bolhas rebentavam em cacos. E os cacos me doíam nos pés. Quem dormiu aos pés da cama? Não vais ainda, deixa eu sofer. Deixas aqui o tanto... O tão menos que eu queria e o tanto mais que acreditares. Quem dormiu aos pés da cama? Quem foi que cerrou as ventanas? E os lençóis...? Sujos de quê? Um borrão de café sobre a mesa. Quem...? Refaço os teus anéis no ar. Ali, o teu cigarro na parede... E o teu botão, a campainha. Daqui vejo o teu rosto na tv. Trancastes todas as portas. Mau. Só pra rires da minha agonia. Do como gostas de me veres aos gritos. Nesta morada... aonde amolas tua faca.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Chuva soa tão como Chuva...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cansei dos temas óbvios, do amor inconsolável, da dor insuportável, da lástima da perda, da nostalgia da infância. Agora o tudo era cinza, difuso, qualquer coisa menos a claridade de pensamento. Se tendesse ao simples, soaria clichê... Mas o difícil é também incompreensível. Escreve com a alma! E eu me dirijo aos céus? Não, não falaria dos anjos, nem das flores, nem das telas de um pintor anônimo. Esse texto nunca existiu, como também imaginário foi cada voz de cada letra. Essas palavras não são minhas. Elas vagam soltas, são livres, não as retenho. Escreve com a alma! - dizem. Mas e se esvazia...? A alma, vai ver, nem minha é. Coisa bem vira-lata, anda numa silhueta estranha, cheira os bueiros da cidade, corre ao primeiro afago que lhe seduz. Não é dessas almas seletivas. É dela. Aquela que eu não conheço e me encara, estranha, numa poça. Pouco importa o que escreve - diz - porque nada disso é seu.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

- E troque as cortinas.

Não gosto de vidraças sujas.

- Sim, senhor.

- E Lençóis limpos,

Carpete impecável.

- Sim, senhor.

- Não se esqueça da banheira.

- Sim, senhor.

- E Diga que o quarto está vago
...

Para o primeiro excesso que se propuser.