sábado, 26 de fevereiro de 2011

As palavras foram filetes de navalha cortando o céu. Quando o céu era uma chuva de impropérios. E os impropérios eram ouriços no plástico bolha. Quando as bolhas rebentavam em cacos. E os cacos me doíam nos pés. Quem dormiu aos pés da cama? Não vais ainda, deixa eu sofer. Deixas aqui o tanto... O tão menos que eu queria e o tanto mais que acreditares. Quem dormiu aos pés da cama? Quem foi que cerrou as ventanas? E os lençóis...? Sujos de quê? Um borrão de café sobre a mesa. Quem...? Refaço os teus anéis no ar. Ali, o teu cigarro na parede... E o teu botão, a campainha. Daqui vejo o teu rosto na tv. Trancastes todas as portas. Mau. Só pra rires da minha agonia. Do como gostas de me veres aos gritos. Nesta morada... aonde amolas tua faca.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Chuva soa tão como Chuva...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cansei dos temas óbvios, do amor inconsolável, da dor insuportável, da lástima da perda, da nostalgia da infância. Agora o tudo era cinza, difuso, qualquer coisa menos a claridade de pensamento. Se tendesse ao simples, soaria clichê... Mas o difícil é também incompreensível. Escreve com a alma! E eu me dirijo aos céus? Não, não falaria dos anjos, nem das flores, nem das telas de um pintor anônimo. Esse texto nunca existiu, como também imaginário foi cada voz de cada letra. Essas palavras não são minhas. Elas vagam soltas, são livres, não as retenho. Escreve com a alma! - dizem. Mas e se esvazia...? A alma, vai ver, nem minha é. Coisa bem vira-lata, anda numa silhueta estranha, cheira os bueiros da cidade, corre ao primeiro afago que lhe seduz. Não é dessas almas seletivas. É dela. Aquela que eu não conheço e me encara, estranha, numa poça. Pouco importa o que escreve - diz - porque nada disso é seu.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

- E troque as cortinas.

Não gosto de vidraças sujas.

- Sim, senhor.

- E Lençóis limpos,

Carpete impecável.

- Sim, senhor.

- Não se esqueça da banheira.

- Sim, senhor.

- E Diga que o quarto está vago
...

Para o primeiro excesso que se propuser.