domingo, 6 de março de 2011

A minha história começa com violinos. O céu é verde e as árvores são grandiosas mãos, adornadas pelas tempestades de março. O vento canta em mí menor, o sal é doce e a chuva pinga em carícias ligeiras...

Você vai escrever assim? Ele pergunta, debruçado sobre a mesa.

Eu diria, a nossa história - veja como fica melhor - começa no cais, quando você ofendia as minhas metáforas esforçadas de amor, e eu fazia você acreditar nas minhas teorias sobre as estrelas. Não havia vento. Era uma brisa de outono. O verde era castanho no meu céu. As suas mãos estavam trêmulas nas minhas, muito embora você jurasse calma. E mantinha aquele olhar firme sobre a linha horizonte do nada. Mas o início de tudo, bem o início,foi quando eu reparei nos seus cadarços...

Os meus cadarços? ...O que tinham os meus cadarços?

Ah, girando os olhos, você não se lembra...?

Hesito em um não interrogativo.

Estavam desamarrados.

Espero você continuar a sua linha de inspiração, ou...?

Sem tempo pra inspiração. Você viu que estavam desamarrados e continuou andando. Achei lindo.

Sorrio.

Posso colocar de outra forma? - Um olhar de consentimento - A nossa história começa bem antes dos cadarços.Foi quando marte cruzou com vênus na quinta casa de plutão. Houve uma grande chuva de meteoros, disseram que o mundo ia acabar, mas aí veio uma tempestade muito forte, e o fogo que queimara os campos virou um mar de carpas. As nuvens se tornaram verdes. Tão verdes. E as velhas saíram todas de casa, com os seus baldes e terços. Foram orar na sacada - repare, até os baldes rezaram. Então veio o sol, invadindo os vitrais das igrejas. Depois do sol veio o vento. Depois do vento, veio a brisa. E aí veio você, com esses olhos de nuvem, transvendo o mundo...E eu transvi com você,esse mundo que era só seu. '

Podemos escrever um livro. Ele sugeriu.

...Como vai terminar?
Ele responde em silêncio. Um sussuro. vênus e marte na quinta casa. E o dia nos encontra dormindo...

sábado, 5 de março de 2011