sexta-feira, 22 de abril de 2011

A crença geral era a de que as estrelas porventura caíam. E se porventura caíam, o que se via era então pó. De poeira revestiam as mãos, e sopravam aos finais da tarde grossas nuvens de cinza claro. O cinza, camuflado pelo orgulho dos olhos, subia aos céus e virava luz... Não se tratava de uma teoria, mas a observação pura e empírica de uma lei natural das coisas. É que a astrologia neste ponto do mapa - explica-se - ficava entre dois astros errantes... Um era a Terra e o outro era Gramacho.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Em breve, muito em breve, os telhados se cobrem de poeira, as palavras velhas de um livro perecem, a chuva de março seca no alto da copa das árvores e, lento, lento, se aproximam e se despedem os barcos que vejo aqui do porto.
As velhas choram seus bordões e, em vão, sacodem lenços no ar. Brevemente entediadas, brevemente saudosas, aguardam em linha e agulha que as suas breves rugas, ainda tão moças, sejam os cravos de julho, os barcos de abril...