segunda-feira, 16 de maio de 2011

Quem escreve para menos sentir bem sabe que é muito maior o poder da letra. Pois eu inventei vinte e quatro formas diferentes de desviar o pensamento e das vinte e quatro tentativas, restou o consolo do papel. Um consolo analista-conformista-freudiano-psicanalítico-homeopático.

Estranho esse dia cinza. E se nem o céu escolheu a cor do dia, por que eu haveria de ainda ter olhos castanhos?

Afunda, afunda nesse cinza, dizem ao pé da pena. E eu não penso duas vezes. E como poderia?

O gato da Alice assopra: se você não sabe pra onde vai... tanto faz o caminho que irá tomar.

E se eu soubesse o caminho? O trajeto exato que me leva ao cinza? Então me desenharia pés. Desenharia um mapa. E marcaria um X imaginário nesta brecha indefinida que se abre entre duas nuvens.

Cinzas.

Deixo lá as cinzas da memória.

Depois descalço os sapatos

...E cinza sou também.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Partida.
Parte.
da parte
que fica
o que nos parte
e o que nos resta
é parte.
E uma saudade por inteiro...