sábado, 25 de junho de 2011

Um poema triste

de quem sente falta

dos olhos azuis

do avô

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Parou

E olhou o quadro.

E o quadro parou

E olhou a moça.

Um sem saber se era quadro.

A outra sem saber se era moça.

Conversaram os dois sobre o tempo.

Sobre o acrílico.

Sobre os classificados.

e se despediram em tácito consentimento.

...

Ficou a moça

Diante da parede

...

E as paredes pararam e olharam a moça.

Sem saber se eram paredes

e a moça sem saber se era quadro.

...

Conversaram sobre as cores

Sobre as compras

Sobre as lagartas

...

Ficou no fim o banco.

Triste, tacanho.

Um banco com olhos de moça
A fala pisou em falso

falhou no passo

pouca verdade nos olhos dela

Mas a falta,

quando escassa,

é uma mentira tão triste

que vira

brasa